Por João Zisman: O jogo da sucessão no Paraná começa a se desenhar

A pesquisa também revela um dado político importante para compreender o ambiente da sucessão estadual

Por João Zisman: O jogo da sucessão no Paraná começa a se desenhar
Por João Zisman: O jogo da sucessão no Paraná começa a se desenhar

Por João Zisman - 14/03/2026 16:02:10 | Foto: Divulgação

A sucessão ao governo do Paraná ainda está distante no calendário eleitoral, mas alguns sinais importantes do cenário político começam a aparecer com mais nitidez. A pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas no início de março oferece um retrato inicial desse ambiente e permite observar como o tabuleiro da disputa começa a se organizar antes mesmo de a eleição entrar plenamente no debate público. Realizado entre os dias 1º e 4 de março com 1.500 eleitores distribuídos em 55 municípios do estado, o levantamento apresenta uma fotografia que, embora preliminar, ajuda a identificar posições iniciais, forças políticas em movimento e o estágio de consolidação das possíveis candidaturas.

Nos cenários estimulados para governador, Sergio Moro aparece na liderança em todas as simulações testadas. No confronto com Alexandre Curi registra 44% das intenções de voto. Quando o adversário testado é Rafael Greca, aparece com 40,1%. Em uma simulação mais enxuta, alcança 47%. São números expressivos para um momento em que a eleição ainda está distante e as candidaturas sequer estão formalmente definidas. Esse desempenho indica elevado nível de reconhecimento junto ao eleitorado e sugere que sua presença no debate público permanece relevante mesmo fora de um contexto imediato de campanha.

A pesquisa também revela um dado político importante para compreender o ambiente da sucessão estadual. O governador Ratinho Junior apresenta níveis extremamente elevados de aprovação. Segundo o levantamento, 84,3% dos entrevistados aprovam sua gestão, enquanto 70,9% classificam o governo como ótimo ou bom. Índices dessa magnitude são pouco comuns para governadores que se aproximam do final do mandato e indicam que o atual governo permanece como um dos principais ativos políticos do cenário estadual. Em processos sucessórios, avaliações tão positivas costumam exercer influência direta sobre a dinâmica eleitoral, seja pela expectativa de continuidade administrativa, seja pela capacidade do governante de influenciar a organização do campo político que sustenta sua gestão.

Outro aspecto relevante observado na pesquisa é a configuração ainda aberta do campo governista. Os cenários testados apresentam nomes como Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca, cada um com níveis distintos de intenção de voto, o que indica que o espaço político associado ao atual governo ainda não se concentrou em torno de uma única candidatura. Alexandre Curi registra 11,3% no cenário em que é testado, enquanto Rafael Greca aparece com 19,1%. Guto Silva oscila entre 4% e 5%, dependendo da simulação apresentada aos entrevistados. Esses números sugerem que, neste momento, o eleitorado identifica diferentes possibilidades dentro do campo político governista, sem que uma delas tenha ainda se consolidado como referência dominante para a sucessão.

Do outro lado do cenário político, a pesquisa mostra a presença de um eleitorado oposicionista relativamente consolidado. Requião Filho aparece em segundo lugar em todos os cenários testados, com índices que variam entre 20% e 26% das intenções de voto. Seu desempenho indica a existência de um segmento do eleitorado que mantém identificação com o legado político associado ao sobrenome Requião e que permanece ativo no debate estadual. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta que sua candidatura apresenta níveis de rejeição mais elevados que os demais nomes pesquisados, fator que pode influenciar a capacidade de expansão eleitoral ao longo do processo sucessório.

Outro elemento captado pela pesquisa é o nível ainda elevado de indefinição entre os eleitores. Na pesquisa espontânea, em que não são apresentados nomes aos entrevistados, a maioria ainda não indica preferência por nenhum candidato. Esse comportamento é comum em fases iniciais do ciclo eleitoral, quando a disputa ainda não se consolidou no debate público e os eleitores acompanham o cenário de forma mais difusa, aguardando maior definição das candidaturas e do próprio ambiente político.

Considerando esse conjunto de dados, a pesquisa revela um cenário sucessório ainda em formação. Sergio Moro aparece como liderança inicial nas intenções de voto, enquanto o governo Ratinho Junior mantém níveis muito elevados de aprovação junto ao eleitorado paranaense. Ao mesmo tempo, o campo político associado ao atual governo apresenta mais de um nome possível para representar a continuidade administrativa, o que indica que o processo de consolidação das candidaturas ainda se encontra em fase inicial. A eleição permanece distante, mas os números já permitem perceber que as primeiras posições desse jogo começam a se definir no tabuleiro político do estado.

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