A opinião pessoal do colunista de politica nacional João Zisman: Os sinais da política

É sob essa perspectiva que a candidatura de Renan Santos merece ser observada

A opinião pessoal do colunista de politica nacional João Zisman: Os sinais da política
A opinião pessoal do colunista de politica nacional João Zisman: Os sinais da política

Por João Zisman - 24/07/2026 11:29:39 | Foto:

Pesquisas eleitorais costumam provocar uma corrida pelos percentuais. Quem subiu, quem caiu, quem lidera, quem perdeu espaço. De tempos em tempos, porém, elas revelam algo mais importante do que números. Revelam o surgimento de um fato político.

É sob essa perspectiva que a candidatura de Renan Santos merece ser observada.

Até poucas semanas atrás, seu nome era tratado como uma extensão das redes sociais, uma candidatura de nicho ou uma aposta destinada mais a provocar debates do que a disputar efetivamente a Presidência da República. Os levantamentos nacionais mais recentes começaram a alterar essa percepção. A AtlasIntel/Bloomberg passou a registrá-lo de forma consistente nos cenários presidenciais e trouxe um dado que merece reflexão: Renan apareceu na liderança entre os eleitores de 16 a 24 anos. Outros institutos também passaram a incluí-lo de maneira mais relevante em seus cenários de disputa.

Nenhuma dessas pesquisas permite afirmar que ele será protagonista da eleição. Também não autoriza previsões sobre seu desempenho quando a campanha ganhar as ruas. Mas todas elas sugerem que ignorar sua candidatura passou a ser um erro de análise.

Talvez a pergunta mais interessante nem seja até onde Renan Santos poderá chegar. A questão é outra. O que explica que um candidato jovem, sem trajetória eleitoral consolidada e distante das estruturas tradicionais tenha conseguido ocupar um espaço que, até pouco tempo atrás, parecia inacessível?
A resposta dificilmente estará apenas nas redes sociais. Influenciadores existem aos milhares e quase todos desaparecem quando tentam converter audiência em votos. Também não parece suficiente atribuir esse movimento apenas ao estilo contundente de sua comunicação. A política brasileira sempre produziu personagens capazes de chamar atenção pelas palavras.

O que diferencia Renan Santos pode estar menos na forma como fala e mais na leitura que fez do momento político.

Ao longo da última década, a disputa nacional foi organizada pela polarização. Primeiro entre PT e PSDB. Depois entre lulismo e bolsonarismo. Essa lógica continua predominante e ainda organiza boa parte do eleitorado. Mas os levantamentos mais recentes sugerem que uma parcela dos brasileiros começa a demonstrar disposição para ouvir algo diferente. Não necessariamente uma terceira via clássica. Não necessariamente um candidato de centro. Talvez apenas alguém que não reproduza diariamente a mesma disputa que domina a política brasileira há tantos anos.

Se essa hipótese estiver correta, o principal mérito político de Renan Santos não terá sido criar um sentimento novo, mas perceber antes dos demais que ele já começava a existir.

Isso não elimina suas contradições. O próprio candidato rejeita ser identificado como integrante da extrema direita. Ao mesmo tempo, sua retórica sobre segurança pública, costumes, liberdade de expressão e enfrentamento à esquerda frequentemente reforça essa percepção entre adversários e parte da imprensa. Essa tensão provavelmente acompanhará toda a sua campanha e poderá definir sua capacidade de ampliar a candidatura para além do público que hoje já se identifica com seu discurso.

É justamente aí que reside o desafio. Perceber antes dos demais uma mudança de humor do eleitorado não garante vitória. A história política brasileira está repleta de candidatos que identificaram corretamente um sentimento da sociedade, mas não conseguiram transformá-lo em maioria eleitoral.

As pesquisas ainda não permitem saber se Renan Santos conseguirá romper essa barreira. Permitem, contudo, uma conclusão mais modesta e talvez mais relevante. Sua candidatura deixou de ser uma curiosidade para se transformar em um fato político que precisa ser compreendido.

Toda eleição produz sinais antes de produzir resultados. O maior erro da análise política costuma ser ignorá-los. O segundo maior é transformá-los prematuramente em certezas. Entre um equívoco e outro, talvez o verdadeiro Estado das Coisas seja este: mais do que registrar o desempenho de um candidato, as pesquisas começam a indicar que uma parte do eleitorado procura respostas diferentes para perguntas que a polarização, sozinha, já não consegue responder.

Leia outras colunas O Estado das Coisas aqui (https://hojepr.com/zisman).

Pesquisas eleitorais costumam provocar uma corrida pelos percentuais. Quem subiu, quem caiu, quem lidera, quem perdeu espaço. De tempos em tempos, porém, elas revelam algo mais importante do que números. Revelam o surgimento de um fato político.

É sob essa perspectiva que a candidatura de Renan Santos merece ser observada.

Até poucas semanas atrás, seu nome era tratado como uma extensão das redes sociais, uma candidatura de nicho ou uma aposta destinada mais a provocar debates do que a disputar efetivamente a Presidência da República. Os levantamentos nacionais mais recentes começaram a alterar essa percepção. A AtlasIntel/Bloomberg passou a registrá-lo de forma consistente nos cenários presidenciais e trouxe um dado que merece reflexão: Renan apareceu na liderança entre os eleitores de 16 a 24 anos. Outros institutos também passaram a incluí-lo de maneira mais relevante em seus cenários de disputa.

Nenhuma dessas pesquisas permite afirmar que ele será protagonista da eleição. Também não autoriza previsões sobre seu desempenho quando a campanha ganhar as ruas. Mas todas elas sugerem que ignorar sua candidatura passou a ser um erro de análise.

Talvez a pergunta mais interessante nem seja até onde Renan Santos poderá chegar. A questão é outra. O que explica que um candidato jovem, sem trajetória eleitoral consolidada e distante das estruturas tradicionais tenha conseguido ocupar um espaço que, até pouco tempo atrás, parecia inacessível?
A resposta dificilmente estará apenas nas redes sociais. Influenciadores existem aos milhares e quase todos desaparecem quando tentam converter audiência em votos. Também não parece suficiente atribuir esse movimento apenas ao estilo contundente de sua comunicação. A política brasileira sempre produziu personagens capazes de chamar atenção pelas palavras.

O que diferencia Renan Santos pode estar menos na forma como fala e mais na leitura que fez do momento político.

Ao longo da última década, a disputa nacional foi organizada pela polarização. Primeiro entre PT e PSDB. Depois entre lulismo e bolsonarismo. Essa lógica continua predominante e ainda organiza boa parte do eleitorado. Mas os levantamentos mais recentes sugerem que uma parcela dos brasileiros começa a demonstrar disposição para ouvir algo diferente. Não necessariamente uma terceira via clássica. Não necessariamente um candidato de centro. Talvez apenas alguém que não reproduza diariamente a mesma disputa que domina a política brasileira há tantos anos.

Se essa hipótese estiver correta, o principal mérito político de Renan Santos não terá sido criar um sentimento novo, mas perceber antes dos demais que ele já começava a existir.

Isso não elimina suas contradições. O próprio candidato rejeita ser identificado como integrante da extrema direita. Ao mesmo tempo, sua retórica sobre segurança pública, costumes, liberdade de expressão e enfrentamento à esquerda frequentemente reforça essa percepção entre adversários e parte da imprensa. Essa tensão provavelmente acompanhará toda a sua campanha e poderá definir sua capacidade de ampliar a candidatura para além do público que hoje já se identifica com seu discurso.

É justamente aí que reside o desafio. Perceber antes dos demais uma mudança de humor do eleitorado não garante vitória. A história política brasileira está repleta de candidatos que identificaram corretamente um sentimento da sociedade, mas não conseguiram transformá-lo em maioria eleitoral.

As pesquisas ainda não permitem saber se Renan Santos conseguirá romper essa barreira. Permitem, contudo, uma conclusão mais modesta e talvez mais relevante. Sua candidatura deixou de ser uma curiosidade para se transformar em um fato político que precisa ser compreendido.

Toda eleição produz sinais antes de produzir resultados. O maior erro da análise política costuma ser ignorá-los. O segundo maior é transformá-los prematuramente em certezas. Entre um equívoco e outro, talvez o verdadeiro Estado das Coisas seja este: mais do que registrar o desempenho de um candidato, as pesquisas começam a indicar que uma parte do eleitorado procura respostas diferentes para perguntas que a polarização, sozinha, já não consegue responder.

Leia outras colunas O Estado das Coisas aqui (https://hojepr.com/zisman).

Comentários para "A opinião pessoal do colunista de politica nacional João Zisman: Os sinais da política":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório