Miguel Lucena sessentou espalhando poesia para espantar a tristeza

Hoje, aposentado como delegado de classe especial da Polícia Civil do Distrito Federal, atua como advogado

Miguel Lucena sessentou espalhando poesia para espantar a tristeza
Miguel Lucena sessentou espalhando poesia para espantar a tristeza

Por Maria José Rocha Lima - 05/03/2026 19:01:52 | Foto: Divulgação

Parabéns pelos 60 anos de uma vida incrível! Uma vida de muita luta, realizações e “poesia para espantar a tristeza”, como ele mesmo reconhece.

Quando o conheci, ele tinha apenas 21 anos: bonito, inteligente e estrategista político. Inacreditável que, com tão pouca idade, já fosse um jornalista reconhecido no jornalismo paraibano, atuante no Sindicato dos Jornalistas e na Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). Era membro da comunicação da Classe Operária, órgão do Partido Comunista do Brasil, que escolhia a dedo os seus jornalistas. E ainda era estudante de Direito.

Na Paraíba, Miguel foi repórter da Folha de S.Paulo, de O Norte e de A União, em João Pessoa, além de redator e editor do Diário da Borborema, em Campina Grande. Em 1989, chegando à Bahia, em apenas quinze dias foi admitido como repórter de A Tarde; logo depois tornou-se redator do Correio da Bahia e editor especial da Tribuna da Bahia, em Salvador. Foi diretor dos Sindicatos dos Jornalistas da Paraíba e da Bahia, da Federação Nacional dos Jornalistas e da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil. Em 2006, coordenou a reforma do Jornal de Angola, na África.

A primeira “traquinagem” estratégica de Miguel que conheci foi em meu favor e em defesa das ideias que defendíamos para a Educação na Constituinte. Eu e a prefeita de Fortaleza fomos palestrantes em uma mesa do Congresso Nacional de Professores, em João Pessoa, e ele fazia a cobertura para o jornal O Norte – Diários Associados.

Maria Luiza Fontenelle havia sido eleita prefeita de Fortaleza em 15 de novembro de 1985, tornando-se a primeira mulher a comandar a capital cearense. Miguel convenceu o editor a publicar uma página inteira do jornal com a minha entrevista sobre Constituinte e Educação, deixando a prefeita para a edição de domingo, por entender que ela teria ainda mais repercussão. Ele argumentava muito bem — mas até hoje considero aquilo uma traquinagem estratégica e amorosa.

Ora, aquela edição do jornal, naquele dia, alcançaria o auge do Congresso Nacional, com mais de mil delegados, tendo como leitores privilegiados os professores. E assim começou a nossa história, que hoje soma 39 anos de convivência e 36 de casamento — com alguns entreveros, claro.

Em 1989, ele foi morar definitivamente na Bahia. Em poucos dias já estava contratado pelo jornal A Tarde, o maior órgão de comunicação do estado. Eu viajei para um congresso de professores em Aracaju e fui surpreendida com uma linda reportagem dele, publicada no vapor que navegava o Rio São Francisco, com músicos baianos como Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, da dupla Sá & Guarabyra, que em 1967 conquistou o primeiro lugar no Festival Internacional da Canção.

Miguel parece não experimentar mar calmo. Pouco tempo depois de chegar à Bahia, teve de administrar uma crise política minha, que culminou com a minha saída — e também a dele — do Partido Comunista do Brasil. Num gesto de coragem e solidariedade, ele me acompanhou. Miguel não teme desagradar, não teme mudanças.

Mudou até de profissão. Quando saí da política, jurei que não ficaria refém de partidos políticos. E ele, que dizia não saber mais nada de Direito, foi aprovado em oito concursos públicos: promotor público; procurador em dois estados e em um município baiano; e delegado em Brasília. Mandou-me escolher. Escolhi delegado. Ele se surpreendeu: delegado! Eu brincava dizendo que Brasília era uma SBPC permanente — ali se discute de Marx a Leite Ninho. É primeiro mundo!

Miguel Lucena Filho encarou a mudança de carreira e construiu uma trajetória de sucesso. Foi diretor de Assuntos Estratégicos e de Comunicação da Polícia Civil, delegado-chefe do Paranoá e do Lago Sul, presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal em 2011 e subsecretário de Segurança Pública do DF.

Hoje, aposentado como delegado de classe especial da Polícia Civil do Distrito Federal, atua como advogado.

É autor dos livros de poemas “Verso Menino” e “Guerra da Perdição: A Revolta de Princesa”, além do premiado cordel “Para Gostar de Ler”, vencedor do Prêmio Nacional de Literatura Popular Patativa do Assaré (edição 2011), do Ministério da Cultura. Destaca-se pelos cordéis que abordam temas do cotidiano, especialmente acontecimentos políticos e sociais.

Foi colunista do Diário do Poder, site dirigido pelo jornalista Cláudio Humberto, ao lado de Carlos Chagas e outros profissionais de renome nacional. É também colunista fundador do Planalto em Pauta.

E continua traquinando nas piadas, sem medo de perder amigos, sempre espalhando muita poesia para alegrar a vida.

Felicidades, marido!

Maria José Rocha Lima (Zezé)

Mestre em Educação. Doutora em Psicanálise.

Deputada Estadual da Bahia (1991–1999).

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