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A Defensoria Pública do Distrito Federal está acuada

A Defensoria Pública do Distrito Federal está acuadaFoto:

Se não houver uma mudança de comando na instituição, os defensores públicos serão facilmente trucidados.

Por Edson Sombra/Redação - 05/04/2017 - 18:11:16

A Defensoria Pública do Distrito Federal, por meio dos defensores públicos e servidores, presta um relevante serviço à população carente do Distrito Federal. De todos os órgãos públicos nenhum outro tem, em seu DNA, a proximidade com a população carente como a Defensoria Pública. É uma instituição séria e composta, em sua maioria, por homens e mulheres de bem e comprometidos com o trabalho. Apesar do bom serviço que prestam à população, o atual Governo do Distrito Federal parece ter um profundo desprezo pela instituição que socorre os mais carentes e o desprezo tem se traduzido em ataques à Defensoria Pública e alguns dos seus integrantes.

Primeiro, o governo Rodrigo Rollemberg não reconhece, apesar da previsão constitucional, a autonomia da Defensoria Pública. Não quer repassar os valores devidos à título de duodécimo. Também impôs sistemáticos vetos às leis de interesse da instituição, especialmente no que tange ao orçamento do importante órgão. O GDF tem, sistematicamente, jogado a Defensoria Pública do DF para escanteio.

Para subjugar a Defensoria Pública, o governo local tem se aproveitado da fragilidade política do defensor Público Geral, Ricardo Batista Sousa, que fez desastrosas alianças políticas no passado recente. A inabilidade política de Sousa tem a cada minuto do dia enfraquecido a instituição, que hoje se vê a deriva.

Primeiro, Ricardo Batista Sousa firmou uma aliança com um projeto falido desde a sua gestação, apostando que os seus integrantes fariam o próximo governador do Distrito Federal. Entregou cargos comissionados e mergulhou de corpo e alma nesse projeto e parece ter assim atraído a ira do Palácio do Buriti e a inveja de alguns deputados distritais.

A derrocada pública de Ricardo teve o seu inicio com a retirada da Presidência da Câmara Legislativa por ordem judicial, flagrados pela Operação Dracon.

Investigados em Inquérito Civil Público aberto pelo Ministério Público do Distrito Federal em que se apura um suposto esquema de corrupção. Segundo as suspeitas levantadas pelo MPDFT, o prédio que abriga a sede da Defensoria Pública, ligada à família do deputado distrital Rafael Prudente, teria entrado na negociação. A nomeação de afilhados políticos também teria feito parte das negociações espúrias, segundo o despacho de abertura do Inquérito Civil Público.

Diante do cenário de suspeita em torno do defensor público geral, este caiu em total descrédito entre os parlamentares do Distrito Federal. É visto com reservas. Ninguém quer, às vésperas das eleições de 2018, vincular a própria imagem com alguém tão controverso, para se dizer o mínimo.

Com a fragilidade do chefe da instituição, a própria Defensoria Pública do DF encontra-se em estado de desproteção. O governo Rodrigo Rollemberg, aproveitando-se da fragilidade e isolamento político do defensor público geral, prepara fortes investidas contra a autonomia do órgão.

Se não houver uma mudança de comando na instituição, os defensores públicos serão facilmente trucidados.

Cresce no meio político distrital que a única possibilidade de salvação para a Defensoria Pública do Distrito Federal é a mudança imediata de comando, o que só acontecerá se Ricardo Batista Sousa renunciar ao restante do mandato. Caso, por vaidade, insista em permanecer, ainda que de forma meramente simbólica, à frente da instituição, será o grande e único responsável pelo desmantelo de uma instituição que tinha tudo para ser grande, mas que está se apequenando nos últimos tempos.

A renúncia de Ricardo Batista Sousa é a única forma da instituição voltar a ter paz e continuar servindo os carentes.

A permanência de Ricardo Batista Sousa na cadeira 01 da instituição significará que ela continuará acuada e os que não rezarem na cartilha dele continuarão sendo perseguidos.

Comentários para "A Defensoria Pública do Distrito Federal está acuada":

    • Roger Rodrigues

      Quinta-Feira, 06 de Abril de 2017 -

      O trabalho da defensoria é relevante - e não questiono a relevância do seu trabalho, embora o desmiolado Constituinte de 1988 devesse mirar no fim da miséria, com soluções paliativas até lá, e não na sua institucionalização. Outro dia mesmo vi um artigo de um defensora pugnando que todos possam entrar livremente no Brasil, que as autoridades não possam expulsar o invasor! Ora, em que país sério há isso?! Lógico que para a defensoria é interessante importar a miséria, até mesmo por questão de sobrevivência! Veja que exatamente estados mais desenvolvidos, com mentalidade mais progressista, foram os últimos a instituir defensoria! Caso, por exemplo, de São Paulo, Santa Catarina. E os pobres ficam desassistidos?! Claro que não! Ora, em nenhum país desenvolvido do mundo - e todos eles têm pobre- entraria na cabeça dos agentes políticos criar um órgão assim! Se me permitem a sinceridade, é estapafúrdio! A solução seria fazer como na Inglaterra, em que a tarefa é entregue à escritórios que ganham por serviço prestado, ou mesmo utilizar a advocacia pública, até que atinjamos o desígnio constitucional de erradicação plena da pobreza! Ora, se o advogado público serve para defender os interesses do Estado, da própria sociedade, para que criar um órgão que tem se mostrado elitista, focado apenas em salários e prerrogativas de seus membros, o que ensejou até mesmo na "conquista" de que o defensores ficassem ao lado do juiz e promotor nas audiências, bem distante do pobre (assistido)! Esse pleito abominável, nem mesmo os advogados ricos, que defendem pessoas esclarecidas, fizeram, pois fazem questão de ficar ao lado de seus clientes, até para que não se sintam desamparados. Agora, o pobre, por vaidade do defensor, que se preocupa mais com o status, não!

    • Roger Rodrigues

      Quinta-Feira, 06 de Abril de 2017 -

      Em países civilizados, o próprio Judiciário não custa mais do que meio por cento do orçamento. No DF, a Defensoria local, que presta, segundo entendo, um serviço sofrível, já conseguiu aprovar lei, em plena crise, prevendo tungar nada menos que, no mínimo, um por cento do orçamento do DF! Também se deu absurdo como auxílio moradia, verba indenizatória para gasolina, embora não seja praxe, nem mesmo entre defensores da área criminal, ir visitar assistidos em presídio - pelo contrário, esses pensam que o defensor não tem essa obrigação/possibilidade. Todos defensores, com as verbas indenizatórias de discutível moralidade, ganham mais que o teto constitucional, sendo certo que prestam um serviço que, conforme tenho conversado com juízes amigos, é invariavelmente considerado pior que o gratuito ao Estado prestado pelas universidades privadas. Aliás, até a sede foi removida do centro e ficou afastada dos pobres, em um local de difícil acesso.

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