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A esposa e as filhas de Jales. O nosso respeito

A esposa e as filhas de Jales. O nosso respeitoFoto:

Todo cidadão comemora quando alguma operação como a Átrio, é deflagrada pelo Ministério Público ou pelas forças policiais. E os jornalistas não são diferentes, somos cidadãos.

Edson Sombra / Redação / Youtube - 12/11/2013 - 11:56:39

Não é difícil, principalmente para nós jornalistas, no afã pela notícia, darmos um mergulho de forma tão profunda nas investigações a ponto de esquecermos alguns princípios. ...


Muitas vezes uma questão fundamental que orbita nessas histórias é esquecida: o respeito à família. E com qual objetivo? O de agredir o alvo das operações?

Como jornalista, e desafeto de boa parte dos políticos de nossa cidade, já vivenciei isso na pele. Outras tantas pessoas também já experimentaram o mesmo dissabor que tive, ao verem, por um motivo ou outro, seus entes queridos indevidamente citados em reportagens.


Falo isso porque já fui vítima de uma denúncia infundada, feita por um jornal de grande circulação na cidade, e taxado como criminoso. Chegaram a dizer que minha mulher, seria minha cúmplice, em um crime que nunca aconteceu. O inquérito policial, gerado por uma suposta denúncia anônima, foi fabricado por algumas "autoridades da cúpula de poder do GDF", e foi arquivado por determinação judicial. O caso levou à exoneração de um ex-diretor da PCDF.


Mas e o estrago causado à minha família? Ficará para sempre. Nenhuma linha foi divulgada pelo veículo, que foi inescrupulosamente, usado como esgoto para tentar enlamear as nossas vidas.


Em termos midiáticos e pessoais, a família deveria sempre ser poupada. Já não basta, por exemplo, ser acordado às seis da manhã de um dia qualquer, um aparato policial invadir sua casa, acordar seus filhos e fazer verdadeira devassa no lugar mais sagrado que é a casa de cada um? Ou mesmo as crianças, terem que conviver com piadas na escola, serem alvos de fofocas da vizinhança e dos amigos?

Ser acordado por uma operação do MP, da PCDF, ou mesmo a Polícia Federal. Deve ser uma experiência nada agradável.


Os filhos então, como se sentem ao ver o pai ou os pais levados para uma delegacia para prestar depoimentos?

Esta coluna de hoje tem o objetivo de levar à reflexão sobre até onde uma notícia deve ser mais importante do que a família.


No caso específico do ex-administrador de Taguatinga, Carlos Jales, são muitas as evidências, depoimentos pessoais e testemunhos de que realmente existe um forte esquema de corrupção de venda de alvarás e licenças para construção. São gravações, fotos, fatos que serão tornados públicos com o passar do tempo.


No entanto, nada até o momento, leva a crer que a esposa do ex-gestor, Marfisa Jales, tivesse conhecimento de algum movimento acerca de todo esse escândalo. Pessoas próximas à família garantem, que tanto a esposa quanto as filhas, foram pegas de surpresa no início da manhã de quinta-feira (7). Tiveram a casa revirada, os quartos vasculhados, a privacidade invadida. A esposa foi conduzida à delegacia para ajudar nas investigações. Às filhas, apenas a informação de que o pai estaria foragido da polícia. O que se passa na cabeça de crianças ao ter que testemunhar tão lamentável episódio?

Outros casos também merecem destaque. Quem não se lembra do episódio dos “Anões do Orçamento” que, após a exposição total na mídia, o marido decidiu matar a esposa que ameaçava delatar todo o episódio? E os filhos desse casal, alguém sabe como estão?

E você leitor, deve estar aí matutando. Mas Sombra, o suposto criminoso deveria ter pensado antes, ou na família dos outros que foram vítimas dos crimes supostamente cometidos por ele.


Dentro de cada escândalo, ou de alguma reportagem desse tipo, pode ser que haja o crime. E é dever da imprensa ter total zelo para que a informação chegue corretamente à população. Só não se deve admitir que rumores, especulações e fofocas sobre a vida dos demais familiares recebam nas reportagens, o mesmo tratamento de um episódio escancarado de corrupção e desvio de conduta.


Por fontes, fica claro que a esposa do ex-administrador de Taguatinga não teria envolvimento com o marido neste episódio. Pela reação dela, relatada por pessoas que acompanharam a operação, não teria nem conhecimento de uma bolada de R$ 49 mil que estava escondida dentro da casa de Jales. E pelo que conhecemos dos relacionamentos atuais, ela seria obrigada a saber? Ou mesmo que o marido estava sendo gravado, mantendo conversas nada republicanas com empresários da construção civil?

Colocar no mesmo bojo um acusado, suspeito, e pessoas da família, simplesmente por terem construído um lar com o investigado, é um exagero sem fim, uma sede inescrupulosa por notícia.


É claro que existiu o caso de Bonnie & Clyde, a dupla criminosa mais famosa da história. Mas pense na proporção, em quantos casos existem realmente algum tipo de cumplicidade entre o casal quando é comprovado o crime?

Nós, profissionais da imprensa, deveríamos manter o máximo de cuidado ao expor histórias meramente com o objetivo de ilustrar uma matéria. E o que deveríamos fazer? Na nossa opinião, usarmos o bom senso.


Até o momento nada, absolutamente nada, indica que a esposa do ex-administrador teve ou tem envolvimento nessas denúncias.


Diante das noticias também por nós veiculadas, não poderíamos deixar de fazer este registro. Ao som de Pais e Filhos, do saudoso Renato Russo, dedicamos a dona Marfisa e as suas duas filhas a coluna Na Varanda de hoje. O profissionalismo e a responsabilidade precisam falar mais alto.

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