A opinião pessoal do colunista de politica João Zisman: Muito além da política

O Distrito Federal continua definindo seu futuro nas convenções partidárias, mas começa a construir uma imagem nacional que já não depende exclusivamente da política

A opinião pessoal do colunista de politica João Zisman: Muito além da política
A opinião pessoal do colunista de politica João Zisman: Muito além da política

Por João Zisman - 27/07/2026 11:11:17 | Foto: Roberto Castro/MTur

Durante décadas, Brasília foi apresentada ao restante do país quase sempre pelos mesmos enquadramentos. O Congresso em sessão, o Palácio do Planalto, manifestações na Esplanada, crises entre os Poderes, operações policiais ou disputas eleitorais. Para boa parte dos brasileiros, a capital da República se resumia ao centro do poder.

O noticiário desta segunda-feira oferece uma perspectiva diferente.

Na noite de domingo, o Fantástico dedicou espaço ao Capital Moto Week, mostrando para milhões de telespectadores uma cidade movimentada pelo turismo, pela economia criativa e pela capacidade de sediar um dos maiores encontros de motociclistas do mundo. Não foi apenas uma reportagem sobre um evento. Foi uma vitrine para uma Brasília que raramente ocupa espaço na cobertura nacional.

Ao mesmo tempo, o cotidiano da cidade seguia produzindo outros fatos igualmente reveladores. Mais de mil vagas de emprego foram abertas pelas Agências do Trabalhador. A rede particular retomou as aulas, alterando novamente a dinâmica da mobilidade urbana. O sistema DF 360 ampliou sua integração de câmeras e consolidou resultados importantes no enfrentamento da criminalidade. As operações contra a grilagem prosseguiram tentando conter uma das maiores distorções históricas da ocupação territorial do Distrito Federal.

Nenhum desses assuntos dominou o debate político nacional. Mas todos ajudam a explicar uma cidade que continua funcionando enquanto a política organiza suas próximas disputas.

É justamente aí que aparece o contraste mais interessante do momento.

Enquanto Brasília amplia sua capacidade de atrair turistas, movimentar a economia, sediar grandes eventos e desenvolver soluções tecnológicas para a gestão pública, a política ainda permanece voltada para dentro de si mesma. As convenções seguem ocupadas pela montagem das chapas, pela distribuição de espaços, pela composição das nominatas e pela definição das alianças.

O caso do MDB simboliza esse momento. Trata-se do partido mais decisivo da sucessão de 2026 e, paradoxalmente, um dos que menos conseguiu transmitir uma mensagem clara sobre o caminho que pretende seguir. A direção nacional aponta para a manutenção da aliança com Celina Leão, mas a demora na consolidação desse movimento mantém um ambiente de expectativa entre filiados, pré-candidatos e aliados. O calendário ainda permite esse tempo de negociação. Politicamente, porém, a indefinição começa a produzir custos.

Essa diferença de ritmo merece atenção. A cidade não suspende sua rotina porque os partidos ainda negociam. A economia continua produzindo oportunidades. Os serviços públicos seguem sendo avaliados diariamente. A segurança, a mobilidade, a cultura e o turismo continuam moldando a percepção que moradores e visitantes constroem sobre o Distrito Federal.

Talvez essa seja a principal transformação em curso.

Durante muito tempo, Brasília foi conhecida porque concentrava o poder. Hoje, começa a ser reconhecida também pela capacidade de produzir experiências, movimentar a economia, receber grandes eventos e oferecer uma agenda que extrapola os limites da política.

As convenções definirão quem disputará o governo da capital. Mas a eleição será vencida por quem compreender que o eleitor passou a viver uma cidade muito mais complexa do que aquela que aparece apenas nas fotografias da Praça dos Três Poderes. A Brasília de 2026 continua sendo o centro das decisões nacionais. Mas já não aceita ser definida apenas por elas.

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