Ronaldo Caiado diz que carta de Bolsonaro mostra 'fragilidade' da candidatura de Flávio

Carta de Bolsonaro busca aplacar divisão na família; relembre histórico da crise envolvendo Michelle

Ronaldo Caiado diz que carta de Bolsonaro mostra 'fragilidade' da candidatura de Flávio
Ronaldo Caiado diz que carta de Bolsonaro mostra 'fragilidade' da candidatura de Flávio

São Paulo, Sp (folhapress) - 12/07/2026 19:10:18 | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, fez críticas neste sábado (11) ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) por causa da divulgação de uma carta na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reafirma seu apoio ao filho na eleição presidencial deste ano.

Flávio leu em transmissão em rede social no sábado mensagem na qual Bolsonaro o chama de seu "porta-voz". A iniciativa ocorreu após desavença pública do pré-candidato com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que disse ter sido maltratada pelo enteado.

Caiado afirmou que "o eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança". Em evento em São Paulo neste sábado, ele disse a jornalistas que o episódio mostrou um sinal "de extrema fragilidade" da campanha do filho do ex-presidente.

"Estamos em uma campanha eleitoral. Quem tem que responder somos nós, os candidatos."
Em rede social, o presidenciável do PSD afirmou ainda: "Pense numa crise envolvendo Venezuela, Bolívia ou Argentina. Nesse momento, ninguém pode ter dúvida sobre quem manda, muito menos imaginar que o presidente precisa primeiro ouvir alguém antes de agir. Esse contraste entre autonomia e dependência pode virar um eixo central do debate. Porque, numa eleição presidencial, liderança não se herda."
Caiado, de olho nos votos da direita, tem procurado em sua pré-campanha desviar de um embate mais direto com o bolsonarismo. Ele evitou ataques mais enfáticos a Flávio por causa da ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, por exemplo.

Neste sábado, outro adversário que criticou Flávio Bolsonaro foi o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Ele disse que a divulgação da carta infringe as regras fixadas para a prisão domiciliar do ex-presidente e afirmou em vídeo que pedirá a revogação do benefício ao STF (Supremo Tribunal Federal). Disse que o senador "está testando" a corte no caso e chamou o vídeo de provocação.

Afirmou ainda que a campanha do PL "não anima ninguém" e que o adversário virou apenas "um porta-voz".

"Ele [Bolsonaro] não pode usar as redes sociais nem dele nem de outras pessoas. E Flávio Bolsonaro hoje descumpriu isso."
No texto divulgado neste sábado, o ex-presidente reafirma confiança no filho e diz que o cenário político atual exige uma postura ativa e unida de seus apoiadores. Durante a leitura, Flávio disse que a mensagem é um passo fundamental para evitar "falas conflituosas ou direções diferentes" dentro da direita. Ele não mencionou a ex-primeira-dama Michelle.

'Bolsonaro é que tem os votos', diz Valdemar, ao justificar carta sobre Flávio

LAURA SCOFIELD
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, avalia que a carta enviada por Jair Bolsonaro é importante para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pois é o ex-presidente que tem os votos que podem eleger o filho.

"É bom para mostrar isso para os eleitores, porque os eleitores são do Bolsonaro, do Jair, né? Do pai", disse à reportagem neste domingo (12).

Questionado se o documento não indica fragilidade da campanha de Flávio Bolsonaro, como considerou o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, ele reafirmou: "O Bolsonaro é que tem os votos. Veja bem o que ele fez, por exemplo, para o nosso partido, nós estamos com 98 deputados hoje federais. É o Bolsonaro que tem muito voto. Agora, tem que ser gente boa para pegar esses votos".

No sábado (12), Flávio leu em transmissão em rede social uma carta em que o ex-presidente afirma que o filho é seu "porta-voz" e candidato.

Durante a leitura da mensagem, Flávio destacou que isso evita "falas conflituosas ou direções diferentes" dentro da direita.

Desde que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) postou um vídeo em que diz que o pré-candidato à Presidência a desrespeitou, maltratou e deixou subentendido que não queria o apoio dela, Flávio tem buscado reafirmar sua posição como representante do grupo.

Michelle deixou a presidência do PL Mulher em junho. Na última semana, criou um novo perfil no Instagram, chamado Imparáveis MB, e publicou um vídeo que mostra a Mulher-Maravilha combatendo uma "metralhadora de mentiras".

Valdemar Costa Neto disse esperar que a carta resolva os conflitos e leve Michelle a entrar "na campanha para valer". "Se nós perdermos as eleições, o Bolsonaro fica mais dez anos preso. Vai ser um caos", diz.

Entretanto, uma pessoa próxima à Michelle, que falou sob reserva, avalia que a carta piora a relação. Ela diz que a ex-primeira-dama está preocupada com a possibilidade de a publicação do documento nas redes ser considerada uma violação da proibição de uso de redes sociais, que vale inclusive para o uso por meio de terceiros.

Essa pessoa avalia que o documento demonstra que Flávio e os irmãos estão dispostos a levar o pai de volta à prisão se isso for gerar um benefício para a campanha.

Quando prorrogou a prisão domiciliar do ex-presidente, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes reforçou que todas as medidas cautelares e condições fixadas para o início da domiciliar, em março, seguiriam válidas, e que o descumprimento das regras levaria ao "retorno imediato ao regime fechado".

No sábado, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), pediu ao STF a regressão de Jair Bolsonaro à prisão em regime fechado e aplicação de multa pela divulgação da carta.

"O descumprimento é objetivo, deliberado e confessado. Objetivo, porque a manifestação do apenado foi efetivamente veiculada em rede social, alcançando audiência massiva. Deliberado, porque a carta foi redigida na manhã do mesmo dia da divulgação, no curso de visita familiar autorizada, instrumentalizando-se, assim, o próprio regime de visitas", justifica o deputado na peça.

À Folha de S. Paulo, ele disse que a carta visa reforçar o elo do Flávio com Jair e retirar da Michelle o papel de falar por ele. "Eles querem puxar o Jair pra cena de novo. Não deu certo o Bolsonaro moderado, não está dando certo", afirmou.

Valdemar Costa Neto, entretanto, diz que não há risco de que Bolsonaro volte à prisão por causa do compartilhamento do vídeo. "Carta ele pode escrever", afirmou.

Carta de Bolsonaro busca aplacar divisão na família; relembre histórico da crise envolvendo Michelle

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A divulgação neste sábado (11) da carta na qual Jair Bolsonaro (PL) diz que seu filho Flávio Bolsonaro (PL) é seu candidato à Presidência e "porta-voz" é mais um capítulo de um racha interno na família, intensificado nas últimas semanas.

O vídeo em que Flávio lê a carta é uma resposta à recente crise criada pela declaração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) de que foi maltratada pelo enteado após discordar da aliança do partido com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato a governador do Ceará.

Relembre a cronologia das últimas brigas no clã Bolsonaro:
Carta de Jair Bolsonaro
Neste sábado, Flávio Bolsonaro leu em suas redes sociais uma carta escrita pelo pai. No texto, Bolsonaro afirma que o filho é seu pré-candidato e o cenário político atual exige uma postura ativa e unida de seus apoiadores.

Durante a leitura, Flávio destacou que a nomeação como porta-voz é um passo fundamental para evitar "falas conflituosas ou direções diferentes" dentro da direita.

Bolsonaro está preso desde agosto de 2025. Por quatro meses, ficou em regime fechado. Desde março, está detido em casa, com restrição de visitas. Também está proibido de se manifestar em redes sociais, por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Indireta em evento
Em ato político com a presença de Flávio Bolsonaro no Ceará, na sexta-feira (11), o deputado federal André Fernandes (PL) deu indireta para a ex-primeira-dama.

"Que saudade eu tenho do nosso presidente, eu fico ali olhando o rosto dele. Nosso eterno presidente, nosso galego. Não é de ninguém individual, não, é nosso galego", afirmou Fernandes, fazendo alusão à forma como Michelle se refere ao ex-presidente.

Michelle deixa presidência do PL Mulher
No dia 30 de junho, Michelle Bolsonaro conversou com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e acertou sua saída da presidência do PL Mulher. A ex-primeira-dama afirmou que a decisão foi combinada com o marido.

Dias depois, Valdemar decidiu extinguir a presidência nacional do PL Mulher sob a justificativa de que as mulheres arrumam problemas umas com as outras e de que ninguém está à altura da ex-primeira-dama.

"Você já imaginou se a gente coloca uma? Você sabe mulher como é que é, né? Arruma enguiço com 20", disse.

A equipe de Michelle que atuava no PL Mulher criou posteriormente um perfil para divulgar seus trabalhos, chamado "ImparáveisMB".

'Mulheres votam mal'
No último dia 25, o empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado próximo do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e que esteve com Flávio Bolsonaro na visita a Donald Trump na Casa Branca neste ano, disse que mulheres "votam muito mal" –especialmente as solteiras, já que as casadas teriam a tendência de acompanhar os votos dos maridos.

A afirmação foi feita em vídeo no seu canal no YouTube, no qual também disse, em tom crítico, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é feminista. Figueiredo sugeriu ainda que quem ficasse descontente com a sua fala poderia "arrancar os pentelhos das calcinhas".

Flávio foi a público afirmar que discordava do aliado.

Michelle critica Flávio em vídeo
No dia 24 de junho, Michelle Bolsonaro publicou vídeos em que afirmou que o enteado Flávio a desrespeitou, maltratou e deixou subentendido que não queria o apoio dela para sua pré-candidatura a presidente da República.

A ex-primeira-dama questionou a aliança do PL com Ciro Gomes, pré-candidato a governador do Ceará, e disse que sofreu ataques por parte dos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Michelle afirmou que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela e não atendeu o telefone. Depois, retornou a ligação de forma ríspida, dizendo que ela deveria ficar de fora das decisões do partido e não entendia nada de política.

O vídeo divulgado foi produzido em um cenário com uma série de símbolos e o discurso mobilizou um repertório que une religião à ideologia conservadora.

Depois da postagem de Michelle, Flávio divulgou uma nota na qual negou ter humilhado a ex-primeira-dama, mas pediu desculpas.

"Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai", disse o senador em nota.

Flávio disse que não ofendeu ou teve a intenção de ofender Michelle. "Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas".

Eleição para o TCU
Flávio Bolsonaro, que havia lançado para uma vaga no TCU (Tribunal de Contas) a deputada Soraya Santos (RJ) como candidata do PL, sob o argumento de que a corte necessitava de mais mulheres, rifou a aliada. Em abril, ele derrubou, em um acordo político, não só a candidatura de Soraya, mas também a de outra mulher, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP).

A ação foi indiretamente criticada por Michelle, que fez publicações de apoio a Soraya. Quando a deputada retirou sua candidatura para atender a Flávio, Michelle postou "Soraya, o TCU seria muito melhor com você lá. Triste dia!".

Bananinha frita
Eduardo Bolsonaro intensificou a troca de farpas nas redes sociais ao afirmar que tanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) quanto Michelle Bolsonaro não demonstravam apoio suficiente na pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Em fevereiro, após a cobrança pública do enteado, a ex-primeira-dama publicou uma imagem de rodelas de banana em uma frigideira, preparadas para o marido, que estava então preso na Papudinha. "Ele ama banana frita", escreveu.

Aliados de Eduardo interpretaram a publicação como um deboche, já que o filho do ex-presidente é pejorativamente chamado de "bananinha". No dia seguinte, Eduardo repostou um tuíte de um seguidor: "Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país".

A disputa no Ceará
Em dezembro passado, Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro, se uniram abertamente contra a madrasta nas redes sociais por posturas que consideraram autoritárias.

Michelle havia participado de evento no qual criticou a aproximação de André Fernandes, presidente do PL no Ceará, com Ciro Gomes, ao lembrar que o ex-presidenciável já chamou Bolsonaro de "ladrão de galinhas".

Os irmãos, por sua vez, disseram que a aliança foi costurada com o aval do ex-presidente.

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