Imprensa internacional repercute fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil após derrota para Lula

Flávio Bolsonaro descumpre determinação de Moraes e não entrega passaporte à PF

Imprensa internacional repercute fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil após derrota para Lula
Imprensa internacional repercute fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil após derrota para Lula

São Paulo, Sp (folhapress) - 28/10/2026 08:13:16 | Foto: © JOÉDSON ALVES/AGÊNCIA BRASIL

A imprensa internacional repercute nesta terça-feira (27) a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota para Lula (PT) na eleição presidencial e a ordem emitida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes para que entregasse o seu passaporte.

Investigado em ações criminais, Flávio viaja aos Estados Unidos com a ciência do presidente Donald Trump, de acordo com aliados da família Bolsonaro. O senador teria partido com a mulher, Fernanda, e as duas filhas.

Veículos de imprensa de vários países repercutem reportagem da Folha de S.Paulo, segundo a qual aliados do político confirmaram a viagem. Veja, abaixo, algumas das repercussões.

O jornal argentino La Nacion destacou a fuga de Flávio apesar da proibição judicial imposta após a sua derrota eleitoral. A publicação menciona que o senador deixou o Brasil numa operação sigilosa.

O caminho exato do ex-candidato é incerto. Na versão de alguns aliados do parlamentar, Flávio viajou a partir da Argentina. Outras pessoas negam a informação.

O jornal britânico The Guardian menciona que Flávio não foi visto nesta terça e que ele não entregou o passaporte à Polícia Federal no prazo estabelecido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.

A publicação cita também pedidos feitos por parlamentares do PT para que o STF ordene a prisão do ex-presidenciável, além de solicitações para que seu nome seja incluído na lista de foragidos da Interpol, organização que facilita a cooperação entre as forças policiais de diferentes países.

O El País, da Espanha, repercute reportagem da Folha de S.Paulo segundo a qual aliados de Flávio afirmaram que ele está a caminho dos EUA.

Segundo a versão desses aliados, a decisão foi tomada na segunda (26), após Alexandre de Moraes mandar recolher os passaportes brasileiros e o italiano do senador, que tem cidadania do país europeu.

Órgão de migração e membro do governo Milei negam que Flávio Bolsonaro esteja na Argentina

DANIELA ARCANJO-BUENOS AIRES, PE (FOLHAPRESS) - O órgão de migração da Argentina nega que Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do último domingo (25), esteja na Argentina. O mesmo foi dito por um funcionário do governo Javier Milei em caráter reservado.

"A Direção Nacional de Migrações não registra a entrada de Flavio Bolsonaro na República Argentina. Diante da repercussão na mídia sobre a presença de um avião particular no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, as autoridades realizaram os procedimentos de fiscalização da aeronave e da tripulação", afirma a nota divulgada pelo órgão.

E completa: "Constatou-se que a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro".

A suspeita de que o senador estaria no país vizinho surgiu durante a madrugada desta terça-feira (27), quando o site argentino Infobae publicou que ele teria cruzado a fronteira com seu documento nacional de identidade para embarcar em um avião em Puerto Iguazu rumo aos Estados Unidos.

Ainda segundo o portal, a viagem seria realizada em uma aeronave Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly. O avião de fato decolou de Buenos Aires às 22h14 na noite de segunda (26) e pousou em Puerto Iguazu às 23h45. Depois disso, saiu dos radares.

O funcionário da Casa Rosada, que deu declarações sem se identificar, disse que a aeronave saiu da capital com tripulantes e sem passageiros a bordo, mas permanece no aeroporto de Puerto Iguazu. A empresa não teria plano de voo nem registro de passageiros, e por isso não teria decolado.

Aliados de Flávio no Brasil negaram durante a manhã que ele tivesse deixado o Brasil, mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda não veio a público. A Polícia Federal está fazendo um rastreamento nos pontos de fronteira do Brasil para verificar se a informação procede.

Na véspera, Flávio havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) proibi-lo de deixar o país. A decisão previa ainda que ele estava proibido de se comunicar com o advogado Willer Tomaz, um amigo investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.

Em vídeo publicado na segunda, Flávio negou que deixaria o país e disse que a motivação de Moraes teria sido uma declaração de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que afirmou na sexta-feira (23) que o senador deveria sair do Brasil caso fosse derrotado nas eleições.

Na manhã desta terça, o porta-voz de Milei não respondeu se o governo estaria disposto a dar asilo político ao senador quando questionado por um jornalista. "Não há nenhum pedido de asilo, portanto, não há mais nada a dizer", afirmou Adrián Rvier.

Flávio Bolsonaro descumpre determinação de Moraes e não entrega passaporte à PF

JOSÉ MARQUES-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não entregou nenhum passaporte à Polícia Federal até as 11h desta terça-feira (27), como havia determinado o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O descumprimento da determinação será informado pela PF em ofício ao ministro do Supremo. Os passaportes nacionais emitidos em nome do senador, que foi derrotado pelo presidente Lula (PT) na disputa à Presidência da República, estão cancelados.

Alvo de investigação no Supremo, Flávio foi intimado pela PF na manhã desta segunda (26) a entregar os passaportes comum e diplomático em até 24 horas, assim como qualquer passaporte de outras nacionalidades que eventualmente tenha.

A decisão de Moraes prevê ainda que ele está proibido de se comunicar com Willer Tomaz, advogado que é amigo do senador e investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. O contato está proibido "por qualquer meio, direto ou por interposta pessoa".

Nesta terça, o site argentino Infobae publicou que o sendor teria cruzado a fronteira com seu RG e que pretendia viajar da cidade de Puerto Iguazú, na região da tríplice fronteira, para os Estados Unidos.

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, a PF rastreia pontos de fronteira do Brasil para verificar se ele saiu do país. No entanto, não há registro formal de que ele tenha saído do país.

Autoridades argentinas também foram consultadas e afirmaram que não há registro de passagem do senador.

O porta-voz do presidente argentino Javier Milei afirmou, segundo a agência Bloomberg, que Flávio Bolsonaro não entrou na Argentina.

Piloto diz que funcionário de aeroporto relatou presença de Flávio na lista de passageiros de jato

ALEXA SALOMÃO-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O piloto Mauro Mattosinho afirmou à reportagem nesta terça-feira (27) ter recebido a informação de que o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consta da lista de passageiros de um voo executivo que está em Puerto Iguazú, na Argentina.

"Segundo me informaram, a decolagem inicialmente estava prevista para as 2 horas da madrugada, mas permanecia na pista às 7 horas", disse Mattosinho.

Mattosinho trabalhou na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba), empresa que transportava empresários investigados na Operação Carbono Oculto, deflagrada contra um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis com suspeitas de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O piloto relatou à Polícia Federal informações sobre o uso de jatos executivos por empresários e políticos.

Neste ano, ele se candidatou a uma vaga de deputado federal por São Paulo pelo PSB. Teve 404 votos e não foi eleito.

O aeroporto internacional de Puerto Iguazú, onde está o jato que supostamente aguardou Flávio, fica a cerca de 22 quilômetros da fronteira com o Brasil. O percurso desde a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, à cidade argentina, pode ser feito de carro em aproximadamente meia hora, sem contar o tempo de passagem pelos controles migratórios e aduaneiros.

O piloto afirma ter recebido a informação durante a madrugada, de um funcionário do aeroporto, que não quer ser identificado. A Direção Nacional de Migrações afirma não ter registrado a entrada de Flavio Bolsonaro na República Argentina.

Segundo Mattosinho, um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A, havia saído de Buenos Aires, pousado em Puerto Iguazú e aguardava quatro passageiros, entre eles Flávio. O funcionário afirmou que o campo destinado aos documentos de identificação de Flávio estava em branco.

Esse funcionário ainda relatou que às 1h30, três passageiros já tinham se apresentado, mas problemas com a documentação suspenderam a decolagem.

A informação sobre a possível viagem de Flávio foi divulgada inicialmente pelo site argentino Infobae, que também identificou o avião e informou que a Baires Fly havia solicitado procedimentos de Alfândega e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes. A aeronave saiu de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú às 23h45.

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o cancelamento dos passaportes de Flávio e proibiu sua saída do Brasil, um dia depois de sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

A coluna de Mônica Bergamo informou que PF (Polícia Federal) está fazendo um rastreamento nos pontos de fronteira do Brasil para verificar Flávio saiu do país.

Pela checagem já feita, o parlamentar não passou oficialmente pela fronteira regular do Brasil com a Argentina. Os agentes fazem também uma checagem de voos entre os dois países.

Autoridades argentinas também afirmaram não haver registro de sua entrada.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que ele tivesse deixado o Brasil. Não há confirmação de que Flávio tenha chegado ao aeroporto argentino ou embarcado na aeronave.

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