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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 25 de junho de 2022

O GDF e a crise da quebra de hierarquia

O GDF e a crise da quebra de hierarquiaFoto:

Embora não se comente publicamente, o episódio envolvendo o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar e o sgt. da Polícia Militar do Distrito Federal Gilson Maranhão, deixou marcas e um grande mal estar dentro do Buriti.

Edson Sombra / Redação - 06/12/2013 - 17:37:20

Agnelo Queiroz: Uma dor de cabeça a mais

A divulgação do vídeo com o desabafo do policial, deixou em situação muito delicada o titular da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, que participou de um café da manhã, no quartel da PM em Samambaia, acompanhado de diversas lideranças comunitárias e políticas da cidade.


Na ocasião, Sandro Avelar teve que ouvir em tom de desabafo, alguns desaforos, e a ele ainda foi determinada uma missão, ser portador de um recado ao governador Agnelo Queiroz. (Veja o vídeo aqui ).


A insatisfação vivida pelos policiais militares, é grande, hoje não se distingue as praças dos oficiais, o descontentamento é geral dentro dos quartéis. Para algumas fontes do blog, o desabafo do sgt. Gilson Maranhão tem que ser levado em consideração por todos. O desgaste poderia ter sido evitado.


Para piorar a situação, e para quem ainda não sabe, no dia de ontem, foi realizada uma reunião do governador e o seu vice Tadeu Filippelli, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, com todo o secretariado, dirigentes de empresas públicas do Distrito Federal, e com a exceção do administrador de Brazlândia, os demais administradores regionais estiveram presentes. O objetivo do chefe do Executivo local foi fazer um balanço das ações de seu governo, realizadas este ano. Sandro Avelar foi o último a chegar, aproximadamente às 11:30, quando a reunião teve seu inicio às 10:00 da manhã. ...


Para essas fontes "o secretário de segurança ao deixar para trás uma reunião, onde estava presente todo o primeiro escalão de governo, chegou atrasado, e o pior, foi o último a chegar. Também foi desrespeitoso." Do episódio de ontem, restaram perguntas, que precisam de respostas:

O que era mais importante: a reunião com todos os integrantes do GDF, incluindo ai o governador e o vice, ou um café da manhã, como ficou provado no vídeo?

Por que lideranças comunitárias se faziam presentes no local? Fontes revelaram ao blog que uma dessas lideranças, "se apresentou como assessora do secretário para adentrar ao quartel da Samambaia."

Ficou muito ruim o episódio de ontem. Na capital da República, vermos a autoridade máxima da Secretaria de Segurança Pública, levar um pito de um dos seus comandados, e ainda ouvir os aplausos de todos os presentes, não a ele, mas ao comandado. Foi constrangedor.


A alegação de Sandro Avelar de que entende o posicionamento do policial militar, pelo passado que tem de dirigente classista, é compreensível, mas não da forma simplista como tenta passar para a opinião pública. Publicamente não é aceitável, quando se sabe que o secretário se filiou ao PMDB. A imprensa divulga que ele será candidato nas próximas eleições.


E do episódio, mais dúvidas ficaram nas cabeças das pessoas. "Sandro Avelar estará realmente preocupado em saber o quadro de insatisfação de sua tropa? Estará realmente ele preocupado com a segurança pública nossa cidade? Ou estará em plena campanha eleitoral extemporânea acobertada pelo cargo?"

E por último, uma pergunta que precisa, e tem que ser respondida. Quem pagou o café que foi servido no 11º Batalhão em Samambaia?

Passados onze dias da crise que teve seu inicio com a suspensão dos convênios de saúde, que atendem aos policiais militares e de seus familiares, cada dia temos uma novidade. Foi coronel desmentindo documentalmente, o seu comandante geral e demais autoridades, sargento utilizando o secretário de segurança como pombo correio, café da manhã em unidade militar para fins políticos. Fatos se acumulam a cada dia.


Até Rogerio Leão, chefe da Casa Militar se envolveu numa crise que dela não fazia parte. Chegou a pensar em punir o sargento Gilson, que diante do secretário de Segurança Pública, desabafou e mandou que ele levasse um recado ao governador do DF. E a Casa Militar pode mandar punir policiais lotados em outra unidade que tem comando? Nós não sabíamos disso.


Segundo nossas fontes, "se é para punir, vamos lá, outros exemplos existem passíveis de punições.”

1- É sabido que houve a determinação do Governo do Distrito Federal para que a Policia Militar apurasse, com a abertura de um Inquérito Policial Militar, a responsabilidade pela suspensão dos convênios da saúde da PMDF. No entanto, o que foi dado conhecimento à imprensa, dentro da PMDF, é da "instauração de uma sindicância." Temem alguns dentro da PMDF e do GDF, que com a instalação de um IPM, que tem a participação do Ministério Público, sejam expostas situações ainda desconhecidas da população sobre a corporação.Com a sindicância, e sem a presença do MPDFT, pode-se, "dar um jeitinho", e tudo cair no esquecimento.


2- E quem punirá o ex-comandante geral da PMDF que, em plena crise, viaja para o Mato Grosso para um encontro de comandantes gerais? E a mesma coisa fez o seu então substituto, que também viajou deixando para trás a crise na corporação? Parece pouco? Tem mais, quando foi chamado a Brasília, diante dos desmentidos de seu comandado, o comandante da corporação mandou um recado, "não volto, se o governador quiser que me demita".



Para alguns, "esses episódios são reflexos da crise que teve seu inicio na PMDF com a quebra de hierarquia. Crise essa, que ha muito reflete na vida da população do DF quando, embora não se admita, há uma greve na PM".


Para outros, parece haver em toda cadeia de comando do DF, falta de autoridade, compromisso e respeito, a começar pelo secretário que não se manifestou ao ouvir do sargento Gilson que, "se a Policia Militar não for contemplada como os outros órgãos da segurança pública, o troco vem na Copa do Mundo".


"Foi uma ameaça, e ele (Sandro Avelar) calou, no passado ele era um sindicalista, hoje o Sandro é o Secretario de Segurança Pública da capital da República, e como tal, não poderia aceitar a ameaça que recebeu. Naquele momento abdicou do cargo, fez o papel de sindicalista, coisa que o Estado não lhe permite". Finalizou.


De todos os desabafos que ouvimos, um sintetizou todos. "Diante dos acontecimentos vividos, no Distrito Federal o que está faltando é autoridade plena, absoluta, com respeito à ordem e a hierarquia. Todos merecem respeito! Mas todos também tem que se fazer respeitar".


Com a palavra e a caneta, o governador do Distrito Federal.

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