Completando 50 anos de carreira, Guimarães está em cartaz, em São Paulo, com a peça Baixa Sociedade
Por ana Carolina Vasconcelos e lucas Salum - Portal Bdf - 16/01/2026 18:51:42 | Foto: Luiz Fernando Guimarães discute sobre o atual momento do cinema nacional | Leo Aversa - Portal BdF
Sucesso da televisão e do teatro brasileiro, Luiz Fernando Guimarães, que interpretou, entre outros papéis que marcaram o audiovisual brasileiro, o personagem Rui em Os Normais , discute sobre o atual momento do cinema nacional, cada vez mais reconhecido internacionalmente. Para ele, o mundo passou a ter mais atenção à produção feita no Brasil.
“É um momento importante para a nossa categoria. Temos artistas, cineastas e temáticas maravilhosas. O mundo está vendo a qualidade artística do Brasil. Acho que os estrangeiros estão olhando com mais sensibilidade, mas o nosso cinema também se aperfeiçoou. Ele cresceu artisticamente. Está bonito, charmoso e elegante”, avalia, em entrevista ao Conversa Bem Viver .
Completando 50 anos de carreira, Guimarães está em cartaz, em São Paulo, com a peça Baixa Sociedade , até o dia 29 de março, no Teatro Renascença. O ator conta como tem sido a receptividade do público ao novo espetáculo, que tem como base a reinterpretação de um texto do reconhecido dramaturgo Juca de Oliveira.
“Eu adoro participar do processo, dar ideias de mudanças junto ao diretor, porque no decorrer da temporada, somos nós que ficaremos ali. Está sendo sensacional. A receptividade do público é impressionante. Há um momento em que o público nos ajuda na dramaturgia. Ele preenche a peça com sonoridades, seja com o riso, a respiração ou mudanças de atitude na cadeira”, relata.
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato – A peça Baixa Sociedade tem texto reinterpretado de Juca de Oliveira, um dos maiores dramaturgos e atores do Brasil, e direção de Pedro Vasconcelos. Como está essa adaptação?
Luiz Fernando Guimarães – Primeiro, foi incrível o contato com essa dramaturgia. Imaginamos que seja antiga, mas ela é muito atualizada. Fizemos as devidas adaptações porque, no teatro, temos que colocar tudo na nossa embocadura para que o público veja que somos nós mesmos que estamos falando, e não apenas personagens.
Em toda a minha carreira, talvez por conta da minha formação, eu nunca formatei um personagem que não tivesse uma característica minha. Acostumei a falar com o público não de uma forma direta, mas por meio de pensamentos.
Nós mexemos muito na peça, mas não na sua estrutura. Ela fala exatamente o que falava quando Juca de Oliveira a escreveu. Adaptamos para um tempo mais moderno. Atualmente, uma peça pode falar tudo em 1 hora e 5 minutos e o público sai satisfeito. Mexemos de uma forma recreativa.
Eu adoro participar do processo, dar ideias de mudanças junto ao diretor, porque no decorrer da temporada, somos nós que ficaremos ali. Está sendo sensacional. A receptividade do público é impressionante. Há um momento em que o público nos ajuda na dramaturgia. Ele preenche a peça com sonoridades, seja com o riso, a respiração ou mudanças de atitude na cadeira. Percebemos tudo.
A peça ganhou um tamanho muito bom. Estou louco para que o Juca veja. Ele deve vir na semana que vem e tenho certeza de que vai gostar. Nós nos conhecemos há muito tempo. Comecei em novelas muito cedo. Saí do teatro e fui logo para a televisão. Lembro dele na época em que a TV Globo era concentrada no Jardim Botânico, antes do Projac. Todo mundo se via toda hora.
Pelo histórico que li, parece que o Luiz Gustavo e o Osmar Prado também fizeram o meu personagem. Fizemos de uma forma completamente diferente, pois estamos em 2026. Quando li a peça, adorei e não fiquei pensando se o público gostaria. Sou altamente intuitivo no meu trabalho e acredito firmemente na minha intuição.
É uma questão de sensibilidade, de coração e mente. Mesmo quando não há uma satisfação imediata na estreia, o teatro permite melhorar no dia seguinte. É um trabalho lindo de mudança constante, o que é ótimo para um ator animado como eu.
Vemos atores consagrados, que poderiam escolher apenas filmes ou séries de streaming, seguindo firmes e fortes e estreando peças no teatro em pleno 2026. É um movimento de resistência?
Acho que vem da formação. Algumas pessoas surgiram do cinema de forma maravilhosa, mas eu vim do teatro e fui direto para a televisão. Se você me perguntar com qual veículo tenho mais aproximação, a televisão é onde me sinto em casa. Não sinto como um movimento de resistência. Tenho um filtro sobre o que falar e acho que o público se identifica com isso.
Vou contar sobre um rapaz de cerca de 30 anos que foi ver a peça. Fiquei sensibilizado, porque ele chorava copiosamente ao me ver. Ele disse que acompanhava meu trabalho desde os 15 anos. O meu público leva os filhos ao teatro. Aqui mesmo na casa, converso com as crianças.
O Thiaguinho, filho de um amigo, tem oito anos e fez uma entrevista comigo hoje de manhã. É sensacional. Ele já se identificou comigo e, de repente, pode ser ator um dia. Meu filho e minha filha também se identificam com algumas coisas. É muito legal ver gerações diferentes no teatro.
Qual trabalho você sente que mais te consagrou ou mais te marcou pessoalmente? Para o público, imagino que seja Os Normais . Para você, também foi?
Foi um momento incrível. Quando esse projeto surgiu, eu estava voltando de uma viagem da África com a Fernanda Torres. O Alexandre Machado disse que tinha um projeto para mim — ele sempre escreveu muito para mim, temos uma adoração mútua. Achei o nome Os Normais esquisito inicialmente, mas eu já tinha a minha “noiva”. Como tinha fotos da Fernanda na viagem, usei essas fotos no teste de câmera e disse que não queria outra parceira. Batalhei por essa ideia.
A Nanda trouxe algo que o público às vezes tem dificuldade de compreender: ela me deu credibilidade. Como eu era muito conhecido na televisão por personagens específicos e ela não era tanto naquele formato, nossa junção trouxe uma credibilidade que o público não estava acostumado a ver.
Outra característica era o horário. O programa começava muito tarde, depois do Globo Repórter. Eu dizia para ela que ninguém veria o programa naquele horário, mas descobrimos que as pessoas não saíam de casa antes de assistir.
Temos uma afinidade que é a marca do programa: um fala no espaço do outro, interrompendo-se. Criamos isso por afinidade e respiração, não foi planejado. O erro virava acerto. Nós ríamos e nos bagunçávamos no meio da cena. Não era algo “bonitinho” ou certinho. Isso deu ao programa uma característica diferenciada.
Estamos lembrando um ano do Globo de Ouro da Fernanda por Ainda Estou Aqui . Você estava acompanhando e torcendo?
Acompanhando incessantemente. O filme me tocou profundamente. Eu vivi essa época e acho importante não esquecermos o que passamos. O filme tem uma qualidade impressionante e se apresenta de forma seca. Estranhei não ter chorado, pois geralmente choro com filmes de amigos, como em Que Horas Ela Volta? , com a Regina Casé.
Eu vivi o momento da ditadura com minha família. Foi algo sério. Fizemos juntos O Que É Isso, Companheiro? , que trata do mesmo tema. Eu estava no meu sítio dormindo e deixei o celular ligado. Me acordaram avisando que ela tinha ganhado. Liguei para ela na hora e foi muito emocionante.
É um momento importante para a nossa categoria. Temos artistas, cineastas e temáticas maravilhosas. O mundo está vendo a qualidade artística do Brasil. Essas premiações têm um valor enorme para mim, pois acompanho e admiro a vida dos atores. No caso da Fernanda, liguei imediatamente. Ela também não conseguia dormir. Nossa afinidade é eterna. Tenho carinho por toda a família dela. Ela tem um ritmo de fala próprio, é uma bênção.
Seu irmão, Luiz Carlos Guimarães, foi militante do MR-8 e dirigiu o caminhão no sequestro. O convite para o filme O Que É Isso, Companheiro? partiu dessa história?
Acredito que não. A Fernanda disse que o Bruno Barreto estava procurando alguém e que o papel era a minha cara. Eu quis trabalhar com aquela turma de comediantes: Pedro Cardoso, Cláudia Abreu, Selton Mello, Matheus Nachtergaele. Foi uma junção muito boa. Procurei meu irmão para que ele me contasse como era viver na clandestinidade, sem poder fazer barulho. Era uma vida assustadora.
Eu vivi isso morando em Laranjeiras com meus pais. Vi tanques de guerra invadindo a rua. É uma recordação emocional forte. Meu irmão precisava sair do Brasil e me maquiaram para que a identidade dele ficasse parecida comigo para que ele pudesse viajar. Durante um tempo, eu mesmo não pude viajar. Valeu a pena pelo meu irmão.
Uma vez, recebi um telefonema perguntando por ele. No momento em que ia falar, fui ao banheiro, desatarrachei o espelho onde estavam escondidos os projetos do MR-8 e queimei tudo. Um minuto depois, eu já estava deitado na cama. Isso foi na época do governo Médici.
Entre os sucessos do cinema brasileiro, tivemos Central do Brasil e agora vivemos esse momento de euforia com prêmios em Cannes e Berlim. O que aconteceu com o nosso cinema?
Acho que os estrangeiros estão olhando com mais sensibilidade, mas o nosso cinema também se aperfeiçoou. Ele cresceu artisticamente. Está bonito, charmoso e elegante. Antes, achavam que nosso cinema era apenas chanchada ou focado apenas no contraste entre a sociedade rica e o morro. Agora, eles se abriram para o Brasil. Eles tinham dificuldade de entender nosso povo e nossa língua, mas essa barreira caiu. É um momento de muita comemoração.
Podemos esperar Luiz Fernando Guimarães em novos projetos para disputar essas premiações?
Podemos esperar muito. Temos o projeto João Mais Três que está na Globo. O roteiro está pronto e pode sair a qualquer momento. Há outros roteiros escritos para o cinema que farei com calma, pois não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.
Não precisa ser sempre na comédia. Acho que o comediante, quando não faz comédia, é sério. Eu sou sério conversando com você, embora possa provocar o riso. Na rua, as pessoas me perguntam por que estou sério, como se houvesse um problema. Grandes comediantes como Jerry Lewis ou Jack Nicholson não fazem graça o tempo todo. Isso harmoniza a vida, tira o compromisso de ser engraçado sempre.
Antigamente, eu sentia que precisava dar continuidade ao trabalho cômico o tempo todo, mas amadureci. Não me incomoda em nada. Há dez anos, eu me perguntava se deveria partir para algo mais sério, mas agora estou tranquilo. A Fernanda Torres é um grande exemplo: notabilizou-se pela comédia e agora faz o mundo chorar com um drama pesado.
O artista de verdade se reinventa. Ela continua sendo a Fernanda que conhecemos, mas em outra modalidade e tempo. O artista não vira outra pessoa. Ele continua abrindo portas.
Conversa Bem Viver

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.
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Editado por: Nathallia Fonseca
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