Procurado por meio da assessoria às 7h40, ACM Neto ainda não se manifestou. A defesa de Moura também foi procurada e não se posicionou
José Marques-brasília, Df (folhapress) - 17/09/2026 11:27:02 | Foto: Ministro Kássio Nunes Marques - Alejandro Zambrana/STF
LUÍSA MARTINS-BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em sua primeira manifestação pública depois da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) de terça-feira (15), marcada por duros embates entre magistrados, o ministro Kassio Nunes Marques disse nesta quinta (17) que "não é preciso aumentar o tom para ser ouvido".
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proferiu um discurso de despedida para o ministro Antônio Carlos Ferreira, que está na sua última sessão na corte eleitoral, e fez uma associação entre a personalidade do colega e a música brasileira.
"A bossa nova nos ensina que a elegância é avessa ao excesso, que não é preciso aumentar o tom para ser ouvido e que a delicadeza e a gentileza também têm força", disse Kassio, que é aliado do ministro André Mendonça na correlação de forças do STF.
Kassio não participou da sessão do Supremo na terça, destinada a discutir as mensagens que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria enviado ao ministro Alexandre de Moraes, mas que acabou interrompida por pedido de vista.
O presidente do TSE se declarou impedido, alegando que, por ser o chefe da Justiça Eleitoral, não poderia participar de um julgamento que poderia ter impacto no pleito de outubro. O primeiro turno ocorre no próximo dia 4.
A decisão do ministro ocorreu após a revelação -a poucas horas da sessão de terça- de diálogos extraídos do celular de Vorcaro que mencionavam pagamentos de R$ 500 mil a seu filho, o advogado Kevin Marques.
Ao se declarar impedido, o ministro disse no STF que seu filho "nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco". Kassio também disse que nunca julgou qualquer processo relacionado ao Master. Em seguida, se retirou da sessão.
O julgamento de terça foi marcado por brigas, bate-bocas e provocações mútuas. O ápice foi quando o ministro Gilmar Mendes, que é aliado de Moraes, elevou o tom contra Mendonça e disse que ele agia com desfaçatez, no que o colega também se exaltou, pedindo respeito.
Kassio nega busca sobre ACM Neto em operação da PF que apura suspeita de fraude em licitação
A Polícia Federal cumpre buscas e apreensões nesta quinta-feira (17) contra o empresário José Marcos de Moura, conhecido como o "Rei do Lixo", com o objetivo de apurar suspeitas de direcionamento de licitações na Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.
A corporação pediu busca contra ACM Neto, candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, mas o relator da apuração, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, negou a solicitação. O pedido foi feito antes do período eleitoral.
Procurado por meio da assessoria às 7h40, ACM Neto ainda não se manifestou. A defesa de Moura também foi procurada e não se posicionou.
A operação é a 10ª fase da Operação Overclean, e trata de suspeitas relacionadas ao fornecimento de serviços e de materiais didáticos. Em fases anteriores, ela atingiu prefeitos, deputados e servidores públicos desde que foi deflagrada, em dezembro de 2024.
São cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, na Bahia, em São Paulo, no Tocantins, no Paraná e no Espírito Santo.
Segundo nota da PF, "nos procedimentos analisados, ao menos três resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. Outros processos de contratação também são objeto da investigação".
"Os fatos apurados podem caracterizar, em tese, crimes contra a Administração Pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro", diz a corporação.
A Overclean já atingiu prefeitos, deputados e servidores públicos desde que foi deflagrada, em dezembro de 2024.
As ações resultaram em cenas de dinheiro jogado da janela, guardado em gavetas e escondido em botas.
Já foram alvos parentes do deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e os também deputados Félix Mendonça (PDT-BA), alvo de buscas, e Dal Barreto (União Brasil-BA).
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