Entenda o que se sabe sobre a investigação que envolve o ex-vereador Milton Leite

Entenda o que se sabe sobre a investigação que envolve Milton Leite

Entenda o que se sabe sobre a investigação que envolve o ex-vereador Milton Leite
Entenda o que se sabe sobre a investigação que envolve o ex-vereador Milton Leite

Tulio Kruse E Leandro Machado-são Paulo, Sp (folhapress) - - 18/09/2026 09:11:30 | Foto: Buscas na casa de Milton Leite — Reprodução TV Globo

CLAUDINEI QUEIROZ-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) por Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, mira a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo de ônibus da capital paulista.

Entre as principais decisões está a expedição de um mandado de prisão contra o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), baseado em duas circunstâncias em que seu nome foi mencionado por terceiros.

Confira abaixo o que se sabe sobre a operação e os envolvidos.

O que é a Operação Vectura Corrupta?
A Operação Vectura Corrupta é uma ação conjunta realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, em cumprimento a mandados expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos. O seu objetivo principal é combater núcleos do PCC (Primeiro Comando da Capital) infiltrados no sistema de transporte público coletivo de passageiros.

Quais são as principais suspeitas investigadas pela operação?
A operação apura suspeitas de que empresas de ônibus passaram a ser administradas por membros da facção criminosa após a obtenção de licitações.

lém disso, a investigação mira a prática de lavagem de dinheiro, corrupção de servidores públicos, negociação de propinas para contratações emergenciais e fraudes em certames, e o financiamento ilegítimo de campanhas políticas para prefeitos e vereadores nas eleições de 2024 e no pleito atual.

Quais são as empresas de transporte citadas no inquérito?
Transwolff: Apontada pela Justiça e pelo Ministério Público como uma empresa usada para lavar dinheiro do PCC. A decisão judicial aponta o ex-vereador Milton Leite como o seu "dono de fato" e responsável por operações ligadas à facção. A empresa nega qualquer vínculo criminoso ou gestão de Leite. A2 Transportes: Investigada sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Em mensagens interceptadas de supostos "laranjas", o dono da empresa, Paulo Korek, é tratado como "patrão" do esquema. A empresa e seu proprietário negam qualquer envolvimento com o PCC. Translider: Empresa de transporte municipal de Cubatão (SP) cujos sócios -José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz- atuariam como "laranjas" do PCC no setor. O celular de Satilite supostamente continha conversas sobre a "Sintonia dos Gravatas", propinas, armas e drogas. UPBus: Citada como viação de ônibus envolvida em fases anteriores de investigações sobre elos com o PCC (Operação Decúrio), tendo tido um sócio preso e sofrido intervenção da Prefeitura de São Paulo. O relatório da Promotoria aponta que pelo menos 12 das empresas de ônibus em operação na cidade de São Paulo seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. Além de Transwolff, A2 e UPBus, o documento cita Transunião, Alfa Rodobus, Viação Transcap (atual Auto Bless), Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes (atual Allibus), Imperial, Norte Bus e Spencer.

Como se posicionaram o empresário Paulo Korek Farias e a empresa A2 em relação às acusações?
Paulo Korek e a A2 Transportes sustentam que a empresa nunca teve envolvimento com o PCC nem realizou lavagem de dinheiro. Declararam que todos os seus recursos são oriundos estritamente dos pagamentos e contratos oficiais firmados com a prefeitura. Korek afirmou ainda que a operação tem um "forte componente político" e que a empresa seguirá colaborando integralmente com as investigações.

Onde atuam as empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC?
O sistema de transporte coletivo em São Paulo é dividido em três lotes. O primeiro exige veículos grandes e faz ligações entre grandes eixos da capital. O segundo, chamado de articulação regional, abrange ônibus de médio porte e liga bairros a corredores urbanos. Já o terceiro, menor, abarca somente linhas de bairro. As empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC operam especificamente neste terceiro lote, formado exclusivamente por linhas locais e de distribuição, responsáveis pelo atendimento direto dentro dos bairros paulistanos.

Quais são as acusações específicas feitas pela Justiça contra Milton Leite?
O desembargador Sérgio Ribas aponta na decisão judicial que Milton Leite seria o "dono de fato" da Transwolff e o cita nominalmente como responsável direto pela operação de empresas controladas pelo PCC.

Ademais, inquéritos apontam supostas conexões do político com policiais militares presos que faziam a escolta privada de diretores da Transwolff, sendo que Leite chegou a ser chamado de "chefe" em mensagens enviadas a executivos da viação.

Milton Leite exerceu sete mandatos consecutivos como vereador em São Paulo (de 1997 a 2024) e foi o presidente mais longevo da história da Câmara Municipal desde a redemocratização, comandando o Legislativo por seis anos (2017-2018 e 2021-2024).

Como Milton Leite se defendeu das acusações?
Milton Leite negou veementemente qualquer ligação com o PCC ou com a propriedade da Transwolff. Declarou que sua relação com o setor foi meramente institucional, a pedido do falecido prefeito Bruno Covas, e ressaltou ser impossível ser dono de uma empresa constituída por 600 cooperados. Afirmou também que não estava foragido, mas fora da capital paulista organizando-se com advogados, e prometeu se entregar às autoridades em até 24 horas.

Quem é Levi dos Santos Oliveira e por que a Justiça determinou a sua prisão temporária?
Levi dos Santos Oliveira é ex-presidente da SPTrans (órgão gestor do transporte paulistano) e ex-Secretário Municipal de Mobilidade. Ele foi preso temporariamente porque a investigação revelou que ele mantinha "encontros periódicos" com José Daniel Satilite (apontado como laranja do PCC) com a finalidade exclusiva de tratar de interesses da facção criminosa no setor de transporte público. Sua defesa informou que aguarda acesso aos autos para adotar as medidas legais cabíveis.

Qual a relevância das informações encontradas no celular de Satilite?
A perícia no celular de Satilite (dono da Translider) foi um dos pilares centrais da investigação. O aparelho continha mensagens referentes à "Sintonia dos Gravatas" (setor de advogados do PCC), pagamento de honorários, estratégias jurídicas para membros presos, articulações sobre financiamento de campanhas eleitorais, acordos para gerir empresas pós-licitação, obtenção de facilidades no Detran e arranjos para pagamento de propina fora de contratos administrativos no município de Leme.

Quais dados sobre tráfico de armas e de drogas surgiram na investigação?
A decisão judicial cita diálogos nos quais Claudionor Tomaz (sócio da Translider e suposto laranja do PCC) negociava fuzis, coletes balísticos e cerca de 200 quilos de pasta-base de cocaína. Nas conversas, os investigados utilizavam o jargão "óleo para produzir ouro branco" ao se referirem às drogas e demonstravam receio de serem presos ou substituídos por outros "laranjas" na estrutura da facção.

De que forma a Operação Decúrio se relaciona com a Operação Vectura Corrupta?
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento direto da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. A Decúrio identificou a rede de comunicação interna do PCC (incluindo a "Sintonia Restrita" e a "Sintonia dos Gravatas"), a contaminação de empresas de transporte e um projeto estruturado de infiltração da facção no pleito municipal de 2024, mediante o lançamento e apoio financeiro a candidatos.

Quais providências tomou o prefeito Ricardo Nunes em resposta às revelações da operação?
A Prefeitura de São Paulo ingressou no processo judicial como assistente de acusação e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) criou um grupo de trabalho (envolvendo a Procuradoria-Geral, Controladoria, Secretaria de Mobilidade e SPTrans) para analisar a decretação de intervenção municipal na empresa A2 Transportes. O procedimento segue os moldes do que já havia sido feito anteriormente com o encerramento do contrato e intervenção nas viações Transwolff e UPBus.

Quantos mandados judiciais foram expedidos e quais municípios paulistas foram alvos das ações policiais?
Foram expedidos mandados de prisão temporária por 30 dias contra 16 pessoas (com menções a 13 alvos diretos em trechos da decisão) e mandados de busca e apreensão em 18 endereços. A Justiça também liberou o acesso aos dados de celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos. As diligências foram realizadas nos municípios de São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

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Operação contra Milton Leite tem 6 suspeitos de integrar o PCC entre 16 alvos de prisão

TULIO KRUSE-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Operação Vectura Corrupta, que foi deflagrada nesta quinta-feira (17) e mira a suspeita de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas do transporte público na cidade de São Paulo e em campanhas políticas, tem ao menos seis pessoas suspeitas de integrar os quadros da facção entre seus 16 alvos de prisão.

Eles são citados como membros e integrantes da organização em informações repassadas por promotores Ministério Público de São Paulo à Justiça e na decisão da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que autorizou a operação.

Outros suspeitos têm conexões com a facção apontadas por promotores do Ministério Público, mas não são citados como integrantes dos quadros internos do PCC.

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que teve sete mandatos na Câmara Municipal de São Paulo e foi o mais longevo presidente da Casa, é um dos alvos de mandado de prisão.

O ex-vereador não foi encontrado em casa e, por telefone, afirmou na manhã desta quinta que estava fora de São Paulo e que iria se entregar. Ele negou veementemente qualquer tipo de vínculo com o PCC.

Decisão judicial de primeira instância havia negado o pedido de prisão contra 13 dos 16 alvos da operação. Essas prisões, inclusive a de Milton, só foram decretadas após promotores do Ministério Público de São Paulo recorrerem à 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Fundado há mais de 30 anos dentro do sistema penitenciário paulista, o PCC mantém cadastros de seus integrantes "batizados" (aqueles que juram obediência às regras disciplinares internas da facção).

Nos últimos anos, no entanto, investigações têm apontado que criminosos de fora dos quadros têm assumido papel cada vez mais importante nos negócios da facção, na condição de associados ou colaboradores -levando o PCC a integrar uma rede de organizações criminosas, segundo promotores de Justiça.

Três advogados, dois sócios de uma empresa de ônibus e um homem suspeito de servir como operador financeiro do PCC são considerados membros da facção pelos promotores. Há menção a outros faccionados, por terem mantido algum tipo de relação com os investigados, mas que não foram alvos de mandado de prisão.

A reportagem tentou contato com as defesas dos suspeitos por email e aplicativos de mensagem ao longo da tarde desta quinta-feira (18), mas não obteve resposta até a publicação deste texto de nenhum advogado que se apresentasse como representante deles.

Abaixo, o que se sabe sobre os alvos de mandado de prisão apontados como integrantes do PCC.

André Cassali, 46
É apontado pela Polícia Civil como operador financeiro da facção criminosa. Documentos da investigação apontam que ele atua no controle da logística da droga traficada pelo PCC na fronteira com a Bolívia e que tem como destino a Baixada Santista.

A investigação aponta que ele também coordenou uma receptação de valores por meio de supostas empresas de fachada.

Foram encontradas conversas em aplicativos de mensagem em que ele cobra de um advogado e de um sócio de empresa de ônibus a devolução de dinheiro. Essa devolução "seria através de contas de doleiros, restando evidente que André Cassali, vulgo Tiago, faz parte da OrCrim [organização criminosa], atuando como 'tesoureiro'", diz documento da investigação.

Ele teve contato direto com José Daniel Satilite, principal alvo da operação, que é sócio de uma empresa de ônibus de Cubatão que tentava obter um contrato na cidade de São Paulo.

Cassali também tem dois registros policiais por suspeita de homicídio. Ele está entre aqueles que já tinham tido a prisão autorizada em primeira instância.

Cícero José dos Santos Filho, 51
Advogado, é suspeito de se envolver em negócios do PCC. Segundo a decisão judicial que autorizou a operação ele teria "ultrapassado os limites da atuação profissional" e oferecido seu escritório como sede de reunião com integrantes da facção.

A conta bancária de seu escritório também teria sido usada para recebimento de valores das empresas investigadas, segundo a polícia.

Além disso, Cícero teria intermediado a aquisição de uma distribuidora de derivados de petróleo pelo valor de R$ 40 milhões por um grupo de suspeitos de integrar o PCC. Nesse contexto, teria sugerido que a facção ameaçasse o filho do antigo proprietário da refinaria para obter sucesso no negócio.

Há suspeitas de que ele também teria participado de tratativas para substituir a UPBus, empresa de ônibus alvo da Operação Fim da Linha que foi retirada da operação de linhas municipais pela Prefeitura de São Paulo.

Claudionor Aparecido Sabino Toma, 56
Conhecido como Cláudio Negão, é sócio da empresa Translider Transportes e suspeito de tráfico de armas. A investigação encontrou fotos de um revólver e de fuzis em conversas de WhatsApp das quais ele participava, inclusive informando os valores dos armamentos.

A polícia suspeita que ele seja um "laranja" na empresa de ônibus, ou seja, que tenha emprestado seu nome para ocultar a participação dos verdadeiros sócios. O inquérito também aponta que ele teria se envolvido numa venda clandestina da frota de ônibus de Cubatão.

Eduardo Medeiros, 61
Conhecido como Galo, é advogado e identificado como proprietário de empresas de transporte. Foi advogado pessoal de José Daniel Satilite, cujo celular apreendido foi a origem das principais descobertas da investigação.

Há a suspeita de que ele tenha ações da Otrantur Transporte e Turismo, que a investigação aponta como uma empresa controlada pelo PCC. O ex-diretor administrativo da companhia foi preso na Operação Sharks do Ministério Público de São Paulo, em 2020.

Promotores afirmam que Galo teve participação numa tentativa de influenciar uma licitação em Itanhaém em benefício do grupo ligado a Satilite.

José Daniel Satilite, 50
Principal investigado da operação, José Daniel Satilite é sócio da empresa de ônibus Translider, de Cubatão (SP). Documento da Polícia Civil afirma que ele exerceria a função de "disciplina" no PCC, ou seja, seria responsável por garantir o cumprimento das regras da facção em determinado território.

A investigação aponta que ele atuou como uma espécie de interlocutor entre integrantes da cúpula da facção, empresários, advogados, doleiros e agentes políticos. Em seu telefone celular, a polícia encontrou desde discussões sobre a compra de uma refinaria por supostos integrantes do PCC até indícios de tráfico de armas.

Há suspeita de que ele também teve papel na circulação de dinheiro do crime por meio de contas de empresas de fachada.

Milton Mello Milreu, 83
Advogado, é apontado como autor de pagamentos periódicos a Satilite. "Atuaria na captação de empresas para que a organização criminosa assuma o controle", diz documento do Ministério Público de São Paulo, citando como exemplo a compra de refinarias por supostos integrantes do PCC.

Informações encontradas nas conversas por aplicativo dos investigados sugerem que ele teria guardado cerca de R$ 500 mil do PCC, o que gerou cobranças para que o valor fosse distribuído a integrantes da facção. Isso teria sido feito via contas bancárias de doleiros, segundo a investigação.

Entenda os principais pontos da decisão que mandou prender o ex-vereador de SP Milton Leite

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão do Tribunal de Justiça que mandou prender o ex-presidente da Cãmara de SP Milton Leite afirma que o político, segundo investigações, é apontado por testemunhas como verdadeiro proprietário de uma das empresas de ônibus suspeita de ligação com o PCC.

Milton Leite nega as acusações e a ligação com a facção e diz que vai se apresentar à polícia em 24 horas.

Despacho assinado pelo desembargador Sérgio Ribas afirma que os apontamentos, até aqui, decorrem de uma análise superficial, mas que indicam "a existência de vínculos entre os investigados e pessoas apontadas como integrantes ou colaboradoras da organização criminosa investigada".

Confira abaixo alguns pontos da decisão:
O QUE É ATRIBUÍDO A MILTON LEITE
- Teria ligação com empresas de ônibus apontadas como controladas pelo PCC.

- Seria responsável direto pela operação de algumas empresas controladas pela facção.

- Policiais militares teriam afirmado que ele seria o proprietário de fato da Transwolf.

- É investigado por possível envolvimento com a organização criminosa, mas o documento não detalha outros crimes.

O QUE MILTON LEITE AFIRMA
- Nega ligação com o PCC e o cometimento de qualquer crime
- Afirma que vai se entregar à polícia
PRINCIPAIS DESCOBERTAS SOBRE O PCC
- O PCC controlaria 12 das 22 empresas do transporte coletivo da capital.

- A facção usaria laranjas para administrar empresas e ocultar seus verdadeiros controladores.

- Licitações seriam direcionadas, com pagamento de propinas e divisão dos valores obtidos.

- Empresas de ônibus operacionalizariam negócios, comissões e movimentações financeiras da organização criminosa.

- A influência alcançaria agentes públicos, políticos e campanhas eleitorais ligadas aos contratos.

- O esquema envolveria Translider, A2, Otrantur e Transbellaflor, entre outras empresas investigadas.

- A atuação alcançaria São Paulo, Cubatão, Leme, Itanhaém e São Vicente.

DECISÕES TOMADA
- Prisão temporária por 30 dias de 13 suspeitos. Em decisão anterior, em primeira instância, já havia sido autorizada a prisão de outros três suspeitos
- Busca e apreensão em endereços ligados a 14 investigados.

- Acesso aos dados de celulares e equipamentos eletrônicos apreendidos durante as diligências.

- Rejeição, por enquanto, do bloqueio de imóveis, veículos, aeronaves e embarcações.

Fonte: Decisão do TJ-SP

Quem é Milton Leite, ex-vereador de São Paulo alvo de operação que investiga PCC

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-vereador Milton Leite (União), alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura infiltração da facção PCC no transporte paulistano, é considerado figura influente da política paulistana, com eixo de atuação que vem da zona sul da cidade.

Ele foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 -quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.

Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.

Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha de S.Paulo noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.

Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.

O colar foi entregue "em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul", como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.

O QUE DIZ A INVESTIGAÇÃO
A decisão judicial que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que Leite seria "o dono de fato" da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC. A Transwolff nega a acusação.

O nome do político havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa.

Na ocasião, em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.

O inquérito apontava supostas relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a empresa de ônibus municipal Transwolff, que teve o contrato cancelado após a Operação Fim da Linha, do Ministério Público, como mostrou a Folha de S.Paulo.

Em fevereiro, Leite afirmou que não conhecia o sargento e que ele nunca trabalhou em sua escolta
Segundo depoimentos de policiais, a escolta pessoal de dirigentes da empresa era organizada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, que atuava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014.

Em interrogatório no dia 4 de fevereiro, um dos policiais presos em operação da Corregedoria -o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario- disse que acreditava que o capitão Alexandre havia sido indicado para coordenar a segurança de dirigentes da Transwolff por Milton Leite.

Relatório da Corregedoria também cita "estreitas ligações" do vereador com o capitão Alexandre, pelo período em que ele trabalhou no Legislativo municipal. Questionado na data, Leite afirmou que nunca indicou PMs para prestação do serviço na empresa e disse que o manteve no cargo após ele ter permanecido ali por outras duas gestões da Câmara Municipal.

O QUE DIZ MILTON LEITE
Em conversa com a Folha de S.Paulo por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.

Milton Leite nega ligação com o PCC e diz que vai se apresentar à polícia em 24 horas

LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, negou que tenha ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e disse que se entregará à polícia em até 24 horas.

Nesta quinta-feira (17), uma operação da Polícia Civil e Ministério Público cumpre mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento com a facção criminosa. Leite é alvo de um mandado de prisão temporária determinada pela Justiça. Ele não foi encontrado em seus endereços.

A decisão judicial que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que Leite seria "o dono de fato" da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC. A Transwolff nega a acusação.

Em conversa com a reportagem por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.

A operação mira suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações. Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos.

O nome de Milton Leite havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa. A decisão do desembargador cita esses depoimentos para embasar o pedido de prisão do ex-vereador.

Em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirma que a intervenção determinada pela gestão na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. "Desde o início das investigações, a prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada."
"A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários."
TRAJETÓRIA
Milton Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024.

Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.

Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Milton Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha de S.Paulo noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.

Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.

O colar foi entregue "em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul", como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.

Na ocasião, o político citou a origem humilde como vendedor de pão no bairro do M'Boi Mirim. Quando chegou à Câmara Municipal, seguiu como vereador por mandatos seguidos, tendo sido presidente por seis anos.

"A carreira política deve ser pavimentada por uma coisa muito importante: a palavra. Procure não dar a palavra, mas se der, honre e faça valer a sua palavra", disse na oportunidade, conforme o registro da Alesp.

PCC definia financiamento de campanhas políticas de São Paulo, aponta Justiça

TULIO KRUSE E LEANDRO MACHADO-SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão judicial que autorizou a prisão temporária de Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, aponta que integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) tinham poder de decisão sobre aportes financeiros em campanhas políticas.

Nesta quinta-feira (17), uma operação da Polícia Civil e Ministério Público cumpre mandados de prisão de 13 pessoas contra suspeitos de envolvimento com a facção criminosa. Segundo a Justiça, as investigações apontaram que 12 das 22 de ônibus de São Paulo são controladas pelo PCC.

Leite é alvo de mandado de prisão temporária determinada pela Justiça. Ele não foi encontrado em seus endereços.

Em conversa com a Folha de S.Paulo por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.

A análise do aparelho celular do investigado José Daniel Satilite, proprietário da empresa Translider, foi um dos pontos centrais da investigação.

"Os diálogos tratariam de questões relacionadas à 'Sintonia dos Gravatas' [setor que reúne advogados ligados ao PCC], pagamento de honorários, estratégias jurídicas em favor de integrantes presos, medidas judiciais de interesse da facção e articulações com agentes políticos", diz o documento.

Nesse contexto são mencionados Danilo Morgado, que foi candidato à Prefeitura de Praia Grande pelo PL em 2024 e hoje concorre a candidato a deputado estadual, e José Ronaldo Alves de Sales, que já foi presidente do PDT no mesmo município e até o ano passado era funcionário da Assembleia Legislativa de São Paulo.

A decisão não detalha em quais campanhas eleitorais teriam ocorrido as tratativas de financiamento.

Sales teria tratado de "campanhas eleitorais, empresas de transporte, venda de ônibus e possíveis facilidades junto ao Detran" em conversas com Satilite. Mensagens encontradas no mesmo celular também fazem "referências a acordos para que empresas passassem a ser administradas por integrantes da organização criminosa após a obtenção de licitações".

Uma das interlocutoras de Satilite nessas conversas seria esposa de um integrante da cúpula do PCC, segundo a investigação.

A investigação aponta, ainda, diálogos envolvendo suposta fraude em contratos e licitações em Leme, na região metropolitana de Piracicaba.

A Folha de S.Paulo não conseguiu contato com os citados na decisão ou identificou suas defesas até a publicação.

Há referências a pagamentos de vantagens indevidas para a obtenção de uma contratação emergencial de empresa ligada ao grupo investigado.

"Segundo a Autoridade Policial, as conversas revelariam ajuste prévio para direcionamento de certame e tentativa de operacionalizar o pagamento de propina fora do contrato administrativo", escreve o desembargador.

As ações desta quinta-feira são desdobramento da Operação Decúrio, que em agosto de 2024 prendeu um sócio da empresa de ônibus UPBus e cumpriu mandados de prisão contra outras 19 pessoas em 14 municípios de São Paulo.

À época, a polícia investigava tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes, como infiltração de membros da facção em cargos públicos.

Em fases anteriores, a mesma investigação já resultou em cinco denúncias oferecidas pelo Ministério Público e duas condenações, afirma o desembargador Sérgio Ribas na decisão que autorizou a operação.

TRANSPORTE SOB SUSPEITA
A operação mira suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações. Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos.

O nome de Milton Leite havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa. A decisão do desembargador cita esses depoimentos para embasar o pedido de prisão do ex-vereador.

Em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirma que a intervenção determinada pela gestão na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. "Desde o início das investigações, a prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada."
"A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários."
Em nota, a Transwolff afirma que Milton Leite nunca teve qualquer participação societária nem "nunca participou da gestão ou 'deu ordens' na empresa".

"O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da Operação Fim de Linha, que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência", diz.

A viação afirma ainda que a intervenção da prefeitura "se apoia exclusivamente em questões financeiras, comuns a todas as empresas do setor e plenamente sanáveis, não havendo qualquer fundamento criminal, diferentemente do que havia sido inicialmente aventado na intervenção".

Ex-presidente da SPTrans é preso em operação contra infiltração do PCC em empresas de ônibus

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-presidente da SPTrans, órgão que gerencia o transporte público de São Paulo, Levi dos Santos Oliveira foi preso na manhã desta quinta-feira (17) durante uma operação policial que investiga a infiltração de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). A defesa dele disse que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão judicial que autorizou a operação.

Nesta quinta-feira (17), a Polícia Civil e Ministério Público cumprem mandados de prisão temporária contra 16 suspeitos de envolvimento com a facção criminosa e participação no setor de transportes.

A operação, batizada como Vectura Corrupta, mira suspeitas de que 12 empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção depois de vencerem licitações no setor. Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos.

Segundo a decisão do desembargador Sérgio Ribas, Levi mantinha "encontros periódicos" com José Daniel Satilite, apontado pela investigação como um dos "laranjas" da facção criminosa.

Segundo a decisão, os encontros tinham como "finalidade exclusiva tratar de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte público".

Levi foi presidente da SPTrans em duas ocasiões. A primeira aconteceu em 2020, indicado ao cargo pelo ex-prefeito Bruno Covas.

Após o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) assumir o cargo com a morte de Covas, Levi deixou a SPTrans e assumiu a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito. Em 2022, voltou ao cargo de presidente da empresa, onde ficou até fevereiro de 2025.

Em nota à Folha de S.Paulo, a defesa de Oliveira afirmou que ainda não teve acesso aos autos nem às "circunstâncias que fundamentaram a medida".

"Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área", disse o escritório Fernando José da Costa Advogados.

"Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação", completou.

O ex-vereador Milton Leite é outro alvo da operação. A Justiça determinou sua prisão temporária. Ele não foi encontrado em seus endereços e é considerado foragido.

Em conversa com a Folha de S.Paulo por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

"Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?", disse.

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