A opinião pessoal do colunista de política nacional Miguel Lucena: Pérolas de palanque

A plateia talvez tenha entendido melhor o pudim do que o discurso

A opinião pessoal do colunista de política nacional Miguel Lucena: Pérolas de palanque
A opinião pessoal do colunista de política nacional Miguel Lucena: Pérolas de palanque

Por Miguel Lucena - 12/08/2026 11:41:18 | Foto: Divulgação Miguel Lucena

Campanha política no interior sempre foi uma fábrica de frases inesquecíveis. Em Sousa, o assessor soprou no ouvido do candidato:

— Eu quero manifestar o meu repúdio...

E o homem, inflamado diante do microfone:
— Eu quero manifestar o meu pudim!
A plateia talvez tenha entendido melhor o pudim do que o discurso.

Em Princesa, Gominho dispensava assessor. Baixinho, moreno, de chapéu de feltro, subia na carroceria do caminhão e produzia filosofia política por conta própria. Certa vez reclamou:
— Deixei de comer meu feijão verde na baje para vir comer o furado de vocês!
Noutra visita:
— Deixei de dormir em minha cama de mola para vir dormir na cama de pau duro de vocês!
Mas sua obra-prima continua atual:
— É melhor uma rapadura saigada do que duas promessas doces!
Gominho podia tropeçar nas palavras, mas acertava no eleitor. Hoje há candidato com marqueteiro, teleprompter e discurso ensaiado que não consegue produzir metade da sabedoria daquele velho filósofo dos palanques de Princesa.

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